Manifestacao-Salvador-part-II

O pacifismo não estava só nas roupas brancas, que de fato predominaram. De uma forma geral, o movimento foi tranquilo. Porém, toda regra tem exceção, nesse caso, mais especificamente três. Um trio de manifestantes com o rosto coberto tentou alterar o andamento da passeata, ora chamando as pessoas para fechar mais uma via e atraindo assim uma atenção especial da polícia, ora contornando o carro de uma senhora que ficou presa no meio do protesto quando tentava ir ao médico em um prédio na região.

A identificação negada pelos ativistas mais violentos, foi denunciada pelos colegas e pela Polícia Militar. Eles seriam paulistas e estariam portando máscaras de gás.

Ao mesmo tempo que o grande volume de pessoas e cartazes contribuiu para a visibilidade do protesto, ressaltou o excesso de bandeiras e a diversidade das demandas. Os gritos de guerra, ou seriam de paz, chegaram a levantar questões como inexistência de ciclovias e baixo salário dos motoristas de ônibus. 


Uma representante da união Brasileira dos Estudantes (UBES) estava de acordo com o colega da União Nacional dos Estudantes (UNE). "Queremos o passe livre". Jordan França, de 22 anos, um dos organizadores e dono do grupo virtual Comunidade Força Jovem Brasil, conta que foi responsável por ter levado parte do número de pessoas.

Ele estava no meio do grupo e seu discurso destoava daquele ouvido no início. Passe livre, Fifa e Copa eram as palavras repetidas na tentativa de apresentar a motivação para o que acontecia. Sem sucesso. O mesmo pode-se dizer da tentativa de levar o movimento pela Rótula do Abacaxi, quando a maior parte do grupo subia o viaduto Raul Seixas.

Assista um pedaço da passeata
A afirmação sobre a horizontalidade do movimento era repetida por todos que comandavam a caminhada e a liderança era medida no grito, literalmente. Mas, nem só de manifestantes de primeira viagem o protesto foi feito. Adelmário Costa, de 36 anos, conta que é ativista desde os 15 e pondera sobre a organização do evento. "Cada geração tem sua forma de se manifestar", declara. Sua colega de militância, a jornalista Camila Vieira, 35 anos, concorda e desmente o sono da pátria amada. "O Brasil nunca esteve dormindo". 

Trânsito parado e catraca livre
A mobilidade, reivindicação unânime, foi a principal prejudicada com o protesto, que causou congestionamentos por toda a cidade. Os motoristas dividiam opiniões sobre o suporte, mas os gritos de "vai para casa mauricinho", foram superados pelas buzinas de apoio. "Se eu pudesse estaria aí", conta Bruno Brito, de 34 anos, motociclista que esperava pacientemente e com um sorriso no rosto o fim da manifestação que lhe prendia do congestionamento.

Para quem aguardava um dos ônibus retidos no final da passeata, o horário é que foi inadequado. "Acho válida a manifestação, mas na volta para casa é complicado. Por que não fez mais cedo?", questiona Cleide Amorim, de 30 anos, que esperava seu Fazenda Coutos. Para o motorista de ônibus, Ivan de Jesus, o erro estava no local e o protesto deveria ter ocorrido em frente à Prefeitura ou Governadoria.

A manifestação terminou com cerveja, amendoim e passe livre. Os ativistas entravam nos veículos e anunciavam o destino final para que os interessados embarcassem. "Pirajá por conta da Fifa!". "Vamos aproveitar hoje, porque amanhã vai ser cinco!". É, deram uma sacudida no berço esplêndido, vamos aguardar o Sol do Novo Mundo.


O especial #FocaNaCopa é produzido pelo time de focas da quarta turma do Jornalismo de Futuro 

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